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La columna semanal de
Carlos Alberto Montaner

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“Se estima que su columna sindicada es leída por seis millones de personas. Sus opiniones hacen que tiemblen políticos en España y América Latina ... Mantendrá su posición como uno de los más respetados periodistas de la región”.
‘The Powerful 100’, Poder, marzo de 2003.

“His syndicated column is read by an estimated 6 million readers. His opinions make politician in Spain and Latin America tremble … He will maintain his position as one of the region’s most respected journalist”.
‘The Powerful 100’, Poder, March 2003.


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Um continente de idiotas

Carlos Alberto Montaner

Carlos Alberto Montaner é mais um crítico ferrenho da esquerda latino-americana a participar do ciclo de conferências Fronteiras do Pensamento. O jornalista cubano, co-autor do célebre Manual do Perfeito Idiota Latino-americano, vai falar no Salão de Atos da UFRGS na próxima terça-feira

Por Gabriel Brust
Publicado no jornal Zero Hora em 06/10/07
www.zerohora.com.br

O jornalista cubano Carlos Alberto Montaner é um dos autores do best-seller Manual do Perfeito Idiota Latino-americano (1997), escrito com a colaboração de Plinio Apuleyo Mendoza e de Álvaro Vargas Llosa. Para alguns de seus críticos, no entanto, Montaner freqüentemente assume o papel do perfeito idiota neoliberal latino-americano. Em um continente em que a disputa política ainda existe porque nem mesmo os problemas básicos foram resolvidos - como descreveu o norte-americano Jon Lee Anderson em sua passagem por Porto Alegre - , a polarização entre esquerdistas e liberais faz com que o título de perfeito idiota caiba bem a qualquer um, dependendo do ponto de vista.

Apesar do bom humor com que retratou as concepções antiquadas de política que volta e meia afloram na América Latina, Montaner também consegue demonstrar seu radicalismo liberal quando quer. Para ele, a simples remoção de Hugo Chávez e Evo Morales do poder já colocaria seus países em um rumo de desenvolvimento. Ignora as décadas de atraso a que a elite industrial venezuelana, por exemplo, condenou o seu país antes da ascensão de Chávez.

Montaner é o criador da União Liberal Cubana (ULC) e vice-presidente da Internacional Liberal desde 1992. Foi classificado como um dos colunistas mais influentes da língua espanhola pela revista Poder. Nascido em Havana em 1943, exilou-se em Madri ao escapar da prisão por ter participado de manifestações estudantis aos 18 anos. Após concluir o mestrado na University of Miami, Montaner lecionou Literatura Latino-americana na Interamerican University (Porto Rico), no final da década de 60.

Para o escritor, os latinos vivem sob uma cultura voltada ao que não mais existe, ao mesmo tempo em que a Europa central e anglo-saxônica se posiciona para o futuro. Em Porto Alegre, ele vai falar sob o tema "América Latina: caminhos para a modernização e para a democracia". Conversou com ZH por telefone, de Miami - cidade onde passa a maior pare de seu tempo quando não está em Madri.

Gabriel Brust

Para não ficar boiando

O livro Manual do Perfeito Idiota Latino-americano (Editora Bretrand, 364 páginas, R$ 50 em média), escrito em colaboração com o colombiano Plínio Apuleyo Mendoza e com o peruano Álvaro Vargas Llosa - todos acusados de "marxistas arrependidos" - , analisa com humor a mitologia dos nacional-populistas e esquerdistas da América Latina. No prefácio, Mario Vargas Llosa diz que a obra pertence a uma riquíssima tradição cujos mestres são Pascal e Voltaire, e que, no mundo contemporâneo, tem Sartre, Camus e Revel como representantes - a tradição do panfleto. Os três autores buscam o confronto intelectual, movendo-se no plano das idéias e das anedotas.

"A democracia liberal acabará se impondo"

Entrevista: Carlos Alberto Montaner, jornalista

Cultura - O senhor diz que Espanha e Portugal foram potências excêntricas, mas que aceitaram a condição de países ocidentais. Em sua interpretação, a América Latina segue também neste rumo de abandonar a excentricidade, no que diz respeito à política?

Carlos Alberto Montaner -
Para poder se desenvolver e competir no Ocidente, a América Latina precisa abandonar a idéia de que há algo diferente ao Ocidente e incorporar-se, como fizeram Espanha e Portugal, ao mundo ocidental. Assim como faz o Chile, de alguma forma, e como fez Argentina durante muito tempo, antes de perder o rumo. O pior caminho para o desenvolvimento é tentar fazer algo diferente do que fazem Holanda, Dinamarca e os demais países ocidentais. É preciso integrar-se a esse mundo com grande firmeza.

Cultura - Qual a principal explicação para o apego da política latino-americana a formas antigas?

Montaner -
Tem a ver com uma velha tradição, no Brasil, no México e, de alguma maneira, na Venezuela, de apego ao positivismo. No Brasil e no México foi muito forte. A tradição positivista se prolongou. O que era uma especulação filosófica se converteu num modo de governo, e esse modo implicava que o Estado seria o poder diretor essencial na criação da riqueza e das condições para que as pessoas sejam felizes. Isso tem conseqüências muito graves, porque sobre essa tradição se montam quase que imediatamente o socialismo, o fascismo, o militarismo... todas as variantes antidemocráticas, que são contrárias à essência republicana. Há uma expressão do Alan Greenspan (economista norte-americano), usada em seu livro de memórias, na parte sobre a América Latina, que é "inércia ideológica". Isso nos leva a repetir o mesmo horror, buscando o desenvolvimento não como conseqüência da ação das empresas privadas, mas como conseqüência das decisões do Estado. E isso é muito grave porque já sabemos para onde conduz.

Cultura - O positivismo é então uma herança maldita?

Montaner -
A origem dele é francesa, mas lá não tomou conta. Comte (Auguste Comte, filósofo francês fundador do positivismo) inclusive foi recluso a um manicômio na França. Mas na América tomamos ele muito a sério. Acontece que as pessoas já nem lembram o que foi o positivismo. As maneiras de entender as relações entre a sociedade e o Estado se encaixam nesta época. E sobre essa tradição se montam o resto do socialismo, de esquerda ou direita, e o militarismo. Ambos fazem parte de uma mesma família.

Cultura - Ao mesmo tempo que se diz que a democracia retrocedeu na América Latina, com Hugo Chávez na Venezuela e Evo Morales na Bolívia, também se diz que a evolução para o aprofundamento de democracias liberais é inevitável. Com qual das correntes o senhor concorda?

Montaner -
A democracia liberal acabará por se impor porque, ao final, a realidade sempre acaba se impondo. Agora estão entrando na Venezuela, provavelmente no Equador e seguramente na Bolívia, governos que são desse populismo de esquerda estadista, e isso vai fracassar, como sempre fracassou.

Cultura - E pode custar muitos anos?

Montaner -
Pode custar muitos anos, pode liquidar outra geração inteira.

Cultura - A visão internacional do governo Lula é de modernidade, com uma política econômica liberal, distante de Chávez. Internamente, no entanto, se fala em ataques à liberdade de imprensa e num aparelhamento de Estado sem precedentes. Quem é o verdadeiro Lula?

Montaner -
Lula tem um coração populista de esquerda, mas a realidade brasileira, a estrutura política brasileira com seu Estado Federal e o jogo de forças políticas do país impedem que ele governe com o coração, e tenha que governar com a cabeça de Fernando Henrique e de outras forças políticas que puseram o Brasil numa direção da qual custaria muito trabalho tirá-lo sem causar grandes confrontos. O que prima em Lula, mais que a moderação, é a prudência política. E muitas vezes essa prudência joga contra suas próprias convicções.

Cultura - Poderia citar um exemplo?

Montaner -
Creio que Lula gostaria que Chávez entrasse no Mercosul, mas o parlamento brasileiro resiste. Aparentemente ele tem uma relação muito boa, no terreno pessoal, com o presidente Bush. Mesmo assim, quando se lê os papéis do Foro de São Paulo e se vê o grupo que rodeia Lula, não há dúvida de que, ideologicamente, ele é contrário à democracia liberal. Ele gostaria que o país fosse muito mais de esquerda e revolucionário, mas ele não pode.

Cultura - A força das elites tradicionais do Brasil tem um papel importante para conter Lula?

Montaner -
Sim. A história do país, o temperamento do brasileiro, mostra uma história muito mais racional que a da América Latina. É mais difícil convocar os brasileiros à loucura do que os argentinos ou outro povo da América Latina.

Cultura - A oposição liberal a Lula é acusada de ser ineficiente, de não ter conseguido tirar proveito de inúmeros escândalos de corrupção para abalar o presidente. Já o PT costumava ser implacável quando estava na oposição. Essa fraqueza da oposição à esquerda é comum na América Latina?

Montaner -
Sim, é comum. O nível de agressividade da esquerda é infinitamente maior que, digamos, o da democracia liberal.

Cultura - Poderia arriscar uma hipótese do porquê disso?

Montaner -
Tem a ver com os grupos sociais que formam a esquerda: grupos que pregam o rancor de classe e que entendem que as diferenças sociais são conseqüência de uma injusta atitude de seus opositores. A reação a isso é de uma violência que não se vê na centro-direita liberal, muito mais tolerante. Além disso, a esquerda pode defender ditaduras repugnantes, como a de Castro, ou aliar-se facilmente à teocracia iraniana, sem encontrar nenhuma contradição.

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Octubre 7, 2007

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